Segredo Sagrado
Segredo
por ele velas tu
mulher de vestido branco
cujas pernas ninguém abrirá
Jamais, nesse inverno
No inverno, te santificas
Se equilibra
Anda com graça divina
Como alguém que cruza
perfeitamente
a corda bamba no ar
E lá em cima tu consegues respirar
Até o inverno passar...
E quando chega a primavera
Quando as flores estão florescendo
Trocas de roupa, e solta os cabelos
Vai a um jardim secreto, onde ninguém a vê
Deita-se na grama junto ás flores
Tira o vestido
Deixando o corpo sentir o ar da primavera
Só então abre as pernas
Para unir sua flor ás outras
E expô-la ao sol, de pétalas abertas
É o seu renascer
Sentindo o cheiro das
flores
Querendo tornar-se uma
Sem saber que já é
Deixa os seios se erguerem
Tudo para o sol
Deixa o sol tocar amago
Do seu ser, entre suas pétalas
Rosadas
Só então se toca
Devagar e lentamente
Seguindo o ritmo das flores
Abre sua flor bem aberta para o sol, o único que pode ver
Seus delicados dedos deslizando em seu corpo
Segura um seio com uma
mão
Com a outra explora sua flor
A flor central do jardim
Sente ela se abrir
E molhar seus dedos
É o começo de sua libertação
Coloca dedos em si mesma
Sente como é por dentro
Cada flor teu seu botão
Ela abre mais as pernas
Agora já faz parte da natureza do jardim
É mais uma flor a respirar
Soltando pólen sagrado
Suas coxas levemente morenas
Estão em perfeito ângulo
Ela forma um desenho
Antigo, que só o sol conhece
Só ela se meche como ela se meche
E isso não é para homem algum
É para exalar a sua essência
Neste ritual sagrado
Dedos movem-se carinhosamente
Abrem pétalas, toca o botão
Ativa o centro de seu ser
Respira como que se os pulmões tivessem se aberto mais
Chega a gemer
Seu gemido é bonito
Não é ordinário nem estranho
Sua pernas se abrem e se fecham,
Com suas formas perfeitas
Seus pés se erguem e ficam ao ar
A flor está em posição
Sua mão se move mais e mais
Ela geme gentilmente, entre suspiros
Seus seios estão duros
Ela os apalpa sob o sol
Suas mãos estão cheias de essência
Ela adora o próprio cheiro
Junto ao das flores
Agora de vez com duas mãos
Entra com dedos em si
Se massageia por fora
Explora cada parte da sua flor
Toda ela merece carinho
A cada carinho, um pequeno gemido
Suas pernas se abrem como que para dar a luz
E seus dedos em frenesi não encontram onde ir
Ficam ali até sentir
Tudo se movimentar
Até não mais aguentar
Então dá luz á sua essência
E tudo cria vida nova ao seu redor
Ao som de seus suspiros
E pernas fracas a tremer
O jardim respira com ela
Quanto ela flui
Depois de tanto tempo de sagrada espera
Flui demais
Sua flor contrai descontrai
Liberando tudo o que
havia preso
E assim ela cria vida nova
Está purificada e livre
De pernas ainda abertas para o sol
Como que por gratidão
Ela respira diferente
espalha sua essência por seu ventre, seus seios, sua boca
sentir o gosto da sua alma liquefeita
é algo também sagrado
E quando tudo acaba
E ela retoma os sentidos
Veste-se de novo
Segue sua vida
Espera pelo inverno com toda calma
Vivendo sua vida
Esperando para sua santificação
Seu próximo processo de transmutação
-Velvet Dreamer

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