O Extase da Deusa
Deita na grama
A solitária deusa de
cabelos loiros ondulados
Acaricia-se com rosas no
jardim
Suavemente
Rosas vermelhas acariciam
o corpo sagrado
Um vestido imaculado e
branco
Aos poucos se abre,
devagar
Pare receber toques
suaves de delicadas mãos
Dois mamilos eretos
despontam em direção á lua
Seu ventre se contrai
É um velho ritual...
Em que o comprido vestido
sobe
Devagar
Entrando no transe da
deusa
Deusa antiga de um lugar
proibido hoje
Toques, dedos, mãos
Contraem músculos
Sonhos quentes de amor
esquecidos pela humanidade
Preenchem sua mente e
alma
Respiração fica livre
Seus lábios se abrem,
como que para beijar o ar
E seus outros lábios
abrem-se aos poucos
Para o rio da deusa fluir
em paz
De sua fonte
O rio corre pela noite
O néctar dos Deuses do
Olimpo
Flui entre convulsões que
percorrem o corpo
Mãos molhadas
As rosas sobem e descem
Há um amante imaginário
ali
O único que ocupa sua
mente
Pois nenhum homem real
poderia...
E ainda ela o sente em
sua fonte, a beber das suas fragrâncias
É fantasma, é fantasia de
graciosos espasmos, gentis contrações
Na grama perdida no tempo
Num campo como não há
mais hoje
O fantasma entra nos
caminhos secretos e líquidos se misturam
O cheiro no ar
Lábios sedentos tocam-se
como que para nunca mais soltar
Ela se vai como que para
nunca mais voltar
As pernas perdem a força,
o rio flui de vez
Tremor
O orgasmo da deusa tem
classe
Não é qualquer um
Enquanto ela segura uma
rosa em seus dentes
A cada contração, sua
flor floresce mais e mais
Êxtase que parece não
terminar
O fantasma segura seus
seios
A beija, despeja-se nela
e vai-se embora
Deixando-a a sonhar na grama perdida
Do bosque dos sonhos
Em seu estado atemporal
E lá longe vem a chuva e trovões
Onde ela vai banhar-se
nua pela noite
adentro
-Velvet Dreamer

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